22 de março de 2018 Comentários (0) Artigos & Dicas, Cicloturismo, Destaque

10 dicas para pedalar na chuva

Nem todo mundo consegue sair com a bicicleta quando está chovendo. O desconforto parece tão grande que muita gente acaba deixando a bicicleta em casa ainda que isso implique em perder um tempão a mais no congestionamento ou aguentar o aperto no transporte público, situações que pioram em dias assim.

1 – Perca o medo da água

Quem vive na cidade aprende desde cedo a se esconder da água que cai do céu, seja debaixo de um guarda-chuva, dentro de uma casa ou dentro de um carro. Aliás, o carro é usado muitas vezes como um guarda-chuva caro e espaçoso: fechou o tempo e pronto, lá vamos nós dirigindo até a esquina de baixo.

O primeiro passo para conseguir encarar a chuva é compreender que ela é parte da vida, Mas calma, você não precisa criar uma paixão repentina por banhos de chuva! Também não precisa passar o dia trabalhando com a roupa molhada, nem precisa pegar um resfriado. Claro que se você perceber que será uma chuva rápida, vale a pena esperar 10 ou 15 minutos debaixo de alguma cobertura, mas nem sempre isso é possível ou previsível. Uma hora você vai ter que encarar uns pingos.

2 – Tenha uma boa capa

Ao pensar em usar a bicicleta na chuva, muita gente pensa logo nas roupas que os motociclistas usam. Entretanto, apesar de eficientes para impedir a entrada da água e do frio, são bastante inadequadas para o uso com bicicleta, pois bloqueiam a saída do calor do corpo e da transpiração. Pra piorar, limitam os movimentos.

A melhor solução é usar uma capa de chuva mesmo, de preferência do tipo poncho, que cobrirá todo seu tronco, cabeça e boa parte das pernas. Existem capas específicas para o uso com bicicleta, com tecido leve e aberturas estratégicas para permitir que o calor do corpo escape e a transpiração evapore.

A solução mais barata, e nem por isso menos eficiente, são aquelas capas de chuva transparentes e descartáveis que podem ser facilmente encontradas. Dobrando com cuidado depois de seca, você consegue usar mais de uma vez.

3 – Instale paralamas

Paralamas são importantíssimos. A chuva que cai do céu é limpa, mas a água que o pneu tira do chão e joga para cima é bastante suja, seja por terra e poeira ou por causa do óleo que cai do motor dos carros. Sem paralamas, essa água vai direto no seu rosto e nas suas costas.

Quanto mais àrea o paralama cobrir, melhor. Mas como as bicicletas nacionais raramente têm suporte adequado para a instalação, é preciso recorrer a modelos que prendam no canote e embaixo do garfo. Se você tem bagageiro, é altamente recomendável colocar um paralama por baixo dele, senão é a sua bagagem que vai conter a sujeira do asfalto…

4 – Ensaque tudo dentro da bolsa ou mochila

Coloque tudo dentro de sacos plásticos, sempre. Depois que uma chuva forte te pegar de surpresa, você vai passar a guardar tudo dentro de sacos plásticos, mesmo que esteja fazendo o maior sol. Nada mais frustrante que chegar ao destino esperando vestir a roupa seca da mochila e ela estar toda molhada.

Não corra o risco de estragar seu celular, smartphone, tablet, etc. com a água da chuva: guarde os eletrônicos numa sacola plástica e coloque dentro da mochila ou alforge.

Se você tem um bagageiro, coloque a mochila toda dentro de uma sacola plástica grande antes de prendê-la.

5 – Mantenha os pés secos

Uma alternativa barata e bastante eficiente (ainda que tenha um visual nada elegante) é envolver os pés com sacolinhas plásticas, daquelas de supermercado. Mas atenção: é importante manter as meias dentro da proteção da sacola também, para que a água da chuva não infiltre por elas! É recomendável o uso de duas sacolas em cada pé, uma por cima da outra.

Há um acessório vendido em outros países com o nome de overshoes, uma cobertura impermeável para cobrir o calçado. Funciona muito bem, mas é quase impossível de se encontrar no Brasil. Há também a opção de usar um calçado que você não se importe em molhar, levando outro protegido na mochila, para trocar quando chegar ao destino.

Também é possível pedalar com um chinelo, papete ou sandália. Mas tome cuidado para que o pé não escorregue do pedal durante a pedalada, ou ao apoiá-lo no chão quando você parar a bicicleta.

Se ainda assim seu sapato ou tênis molhar no caminho, forre-o com papel toalha quando chegar ao destino e calce com o pé sobre essa camada. Troque o papel absorvente a cada meia hora no máximo e logo estará seco, sem você precisar ficar descalço.

6 – Use luvas

Luvas já são recomendáveis em situações normais, por protegerem as mãos em caso de queda e por evitar irritação na pele, que fica em atrito constante com a manopla. Em dias de chuva, tornam-se ainda mais úteis, para que suas mãos não escorreguem no guidão.

Quanto ao tipo de luva, depende se está frio ou calor, no frio, é melhor usar as de dedo fechado, para que a mão não enrijeça. O importante é que seja um modelo em que a mão não escorregue na manopla, por isso é bom comprar luvas próprias para ciclismo.

7 – Controle a transpiração

Debaixo da capa de chuva, a transpiração vai evaporar bem menos e tornar-se mais visível. Para não ficar mais molhado por dentro da capa do que por fora, pedale mais devagar, respire com calma e faça mais paradas. E não esqueça de tomar água, que se estiver gelada ajudará a resfriar seu “motor”.

8 – Leve uma roupa extra

Por mais que você se proteja, pode ser que sua roupa molhe um pouco. Principalmente a calça, que pode até sujar com a água da rua. Por isso é importante levar uma muda de roupa, mesmo que apenas para uma eventualidade.

Se você tem uma gaveta no escritório, deixe nela calça, camiseta ou camisa e um par de meias. Senão, leve tudo numa sacola, dentro da mochila.

Uma opção é usar uma roupa mais leve para pedalar, que possa molhar e até mesmo sujar, e levar a roupa limpa na mochila ou alforge, protegida dentro de um saco plástico. Se você colocar as roupas dentro de uma pasta de plástico, daquelas mais altas, não irão amassar.

9 – Troque-se ao chegar

Quando chegar ao destino, é importante trocar logo todas as peças de roupa que ficaram molhadas (ou improvisar um jeito de secá-las, usando por exemplo o papel toalha do banheiro).

Vale lembrar que não é tomar chuva que pode te deixar doente: é ficar com o corpo gelado por causa da roupa molhada, depois que passar o calor da pedalada. Principalmente se você estiver em um ambiente com ar condicionado.

10 – Fique atento nas ruas

Tome cuidado para não escorregar, principalmente logo que começa a chover. O óleo que cai dos carros se mistura com a água e o chão fica escorregadio. Atenção extra nas descidas, não deixe a bicicleta pegar muita velocidade para não precisar frear bruscamente.

As faixas de pedestres e outras sinalizações de solo também ficam escorregadias na chuva. Evite frear em cima delas. Grelhas e tampas de bueiro também podem escorregar. E aquelas chapas lisas de metal, usadas para cobrir reformas e buracos no asfalto, viram um sabão quando chove, muito cuidado!

Se não tiver como desviar de algum desses pontos de risco, mantenha a bicicleta “imóvel” enquanto estiver passando por cima, seguindo em linha reta sem virar o guidão nem mudar o centro de gravidade. E em hipótese nenhuma freie, deixe para depois que os pneus voltarem ao asfalto.

Evite passar por locais onde há acumulo de água que não lhe permita ver o que há no asfalto. Pode haver um buraco ou uma tampa de bueiro aberta!

Não se arrisque a pedalar em áreas alagadas, você pode se machucar e contrair doenças.

Durante chuvas fortes, a visibilidade dos motoristas cai muito e você vai enxergar muito melhor que eles. Parta sempre do princípio de que o motorista não o viu e pode entrar na sua frente sem aviso. Acenda as luzes da bicicleta, mesmo de dia, e evite avenidas movimentadas.

A primeira chuva a gente nunca esquece, principalmente quando ela nos pega de surpresa. E a primeira tempestade vencida é uma libertação. Você percebe que as condições do tempo não mais lhe impedem de escolher a bicicleta, mesmo em dias improváveis.

Pedalar na chuva tem gosto de molecagem que a mãe não deixa fazer, de transgressão lúdica de uma regra boba dos adultos, de ser dono do próprio nariz e fazer o que bem entende.

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