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Entregador de 66 anos que alugava bicicleta para trabalhar ganha uma de presente de leitor do site Curta Mais

Aos 66 anos, o que você estaria fazendo? Carlos Roberto Finotti resolveu pedalar pelas ruas de Goiânia entregando comida por aplicativos de pedidos. O detalhe ainda mais especial dessa história é que, como ele não tinha uma bicicleta própria, resolveu alugar uma compartilhada para realizar o trabalho. A ideia surgiu recentemente e hoje ele chega a pedalar 30 quilômetros por dia fazendo de 8 a 10 entregas pelos bairros da capital.

Considerado idoso pela Lei 10741/03 do “Estatuto do Idoso”, o aposentado que ganha dois salários mínimos por mês, vive há 45 anos com a esposa, Dona Maria das Graças, e é pai de três filhos e avô de dois netos. Com apenas duas semanas na nova atividade, já faturou R$ 155 que pretende poupar para juntar dinheiro e viajar. “Meu plano é juntar dinheiro para conhecer o Brasil com minha esposa e quem sabe ainda fazer uma viagem internacional”. Sobre o apoio da família, ele conta que a esposa sempre fica preocupada com o trânsito e, claro, com a saúde. “Ela pede pra eu tomar cuidado e passar filtro solar. Mesmo preocupada, ela me dá todo apoio”.

A decisão de pedalar foi além da questão financeira. De olho na saúde, o vovô ciclista, foge do sedentarismo e ainda melhora a forma física. O pedal se transformou no melhor remédio.  “Só este mês perdi 3 quilos e a saúde está melhor do que nunca”.

A história poderia passar despercebida, se não fosse o olhar atento e sensível da médica oftalmologista Bruna Rassi que se comoveu ao ver a cena do senhor pedalando de baixo do sol escaldante de Goiânia para fazer entregas de comida com uma bicicleta alugada. “Me tocou tanto que fiz questão de filmar. O que me comoveu foi ver um senhor alugar uma bicicleta para trabalhar de uma forma tão digna”, comentou.

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Depois do mistério e da enorme corrente do bem, encontramos o Seu Carlos ainda com a bicicleta alugada.

O Curta Mais então resolveu contar a história que teve enorme repercussão nas redes sociais. Entre as centenas de comentários, um chamou a atenção. O leitor Gianluca Ferro se prontificou a doar a própria bicicleta. “Curta Mais, se acharem o contato desse homem eu dou uma bicicleta pra ele. Comprei uma pra fazer passeios e nunca usei. É uma bike excelente!”, escreveu o empresário em nossa página oficial no Facebook.

A atitude mobilizou os seguidores do Curta Mais nas redes sociais até que, no mesmo dia, o tal entregador anônimo foi localizado. Os próprios colegas de aplicativo, deram a notícia. Seu Carlos conta que estava olhando uma bicicleta para financiar até surgir a surpresa. O encontro entre Gianluca e Carlos foi realizado na redação do Curta Mais em Goiânia

Sobre o presente, Seu Carlos é só gratidão. “Agora não preciso ficar preocupado em trocar de bicicleta de hora em hora (exigência do aplicativo de compartilhamento) e vou usar o dinheiro que iria para a bicicleta “para viajar com a patroa”. Aos 66 anos, ele não quer saber de sofá ou de qualquer ócio que aposentadoria poderia estimular. “Trabalho desde os 11 anos de idade, aposentei com 35 anos de contribuição e sempre gostei de trabalhar, afinal o trabalho dignifica o homem. O fato de ser considerado um idoso não é desculpa pra ficar em casa, tenho muita coisa para realizar ainda”.

Uma verdadeira corrente do bem que gerou uma grande mobilização a partir de um olhar sensível. Gianluca Ferro abriu mão do dinheiro que ganharia com a venda da bicicleta, para fazer a alegria de alguém que até então nem conhecia. O empresário de 28 anos, dono da Viaggi Vistos (a mídia é propositalmente espontânea), saiu de Piracanjuba, onde mora, a cerca de 100 quilômetros de Goiânia para fazer a entrega. Abriu mão do dinheiro e do tempo mas ganhou o dia. “É bom praticar o desapego e ajudar outras pessoas. Me desfiz de uma coisa que não tinha mais utilidade pra mim e pude oportunizar para uma pessoa que faria um uso melhor. Acredito que são as pequenas atitudes que podem melhorar a sociedade em que vivemos”.

Em tempos de polarização, ódio e violência nas redes sociais, um encontro improvável que só reforça a linha editorial adotada pelo Curta Mais desde que a plataforma foi criada em 2007: valorizar conteúdo de qualidade e melhorar a vida das pessoas com boas histórias.

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” (Fernando Pessoa)

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