Por mais de uma década, o Bike Dica tem sido um espaço feito com verdade, dedicação e amor pelo ciclismo. Um projeto pessoal, sem fins lucrativos, movido pelo desejo de inspirar, informar e unir pessoas que, como nós, veem a bicicleta como mais do que um meio de transporte: uma ferramenta de transformação.
Nunca tivemos anúncios. Nunca lucramos. Apenas pedalamos — e escrevemos sobre isso.
Mas um dia, nossa história foi atropelada pela frieza de um processo judicial.
E agora, com respeito a quem nos acompanha, sentimos que é hora de contar o que aconteceu.
O Blog que Sempre Existiu para Somar
Nosso conteúdo sempre foi produzido com cuidado e responsabilidade. E quando compartilhamos textos ou projetos de terceiros, sempre buscamos incluir os devidos créditos, imagens e referências.
Foi exatamente o que fizemos ao divulgar uma matéria originalmente escrita para um projeto de incentivo ao uso da bicicleta. A publicação citava o autor, referenciava o projeto e estava em total alinhamento com nossa proposta educativa.
Surpreendentemente, esse autor — que publicamente se apresenta como defensor da mobilidade urbana e da ética — optou por nos processar diretamente, sem qualquer contato prévio, sem pedido de remoção, sem diálogo.
Um Processo Silencioso, Mas Devastador
A ação judicial seguiu um caminho comum para quem deseja impedir qualquer defesa: a notificação foi enviada para um endereço que nunca foi nosso. O processo correu à revelia. Quando soubemos da existência da ação, nossos salários já estavam bloqueados — integralmente.
Durante meses, vivemos sem qualquer renda. Vários salários foram totalmente retidos por decisão judicial. Não houve escuta. Não houve ponderação. Não houve qualquer consideração pelo sustento básico de nossa família.
Nosso Filho, Nossa Realidade
Esse bloqueio financeiro afetou profundamente nossa estrutura familiar.
Nosso filho, hoje com 10 anos, nasceu prematuro — com apenas 605 gramas — e desde então enfrenta uma série de desafios. Isso exige acompanhamento contínuo, terapias e atividades complementares que só conseguimos garantir com muito esforço e planejamento.
A ação judicial, movida por quem deveria entender a importância do coletivo, nos deixou desamparados, sem sequer o mínimo existencial para garantir dignidade e cuidado ao nosso filho.
Mais de 20 Ações Iguais: Coincidência ou Estratégia?
Durante nossa busca por entender o que estava acontecendo, descobrimos que essa mesma pessoa processou mais de 20 outros blogs e criadores de conteúdo pelo mesmo motivo. Um padrão repetido, muitas vezes com decisões semelhantes por ausência de defesa.
Isso levanta um alerta: ao invés de fortalecer seu projeto como veículo de impacto social, estaria essa pessoa transformando a justiça em fonte de renda, via processos em série?
O Contrassenso de um Projeto Público Usado para Atacar Criadores Independentes
Vale lembrar: o conteúdo que motivou o processo foi produzido dentro do projeto Blog Itaú Ciclismo, parte da iniciativa de mobilidade urbana do Itaú Unibanco, e divulgado no site Vá de Bike. O autor foi remunerado pelo banco para criar esse material com propósito educativo e de interesse coletivo.
O conteúdo promovia o uso da bicicleta, a segurança no trânsito e a valorização das ciclovias — tudo alinhado ao que o Bike Dica sempre defendeu.
Mais do que isso: o Itaú autorizou a divulgação institucional do material, como parte de seu esforço de disseminação. E mesmo assim, fomos condenados como se tivéssemos cometido um ato de má-fé.
O que era para ser conteúdo público, acessível e inspirador, foi transformado em arma jurídica contra quem tentava fortalecer a mesma causa.
Justiça Sem Escuta é Injustiça
Ser julgado sem direito de defesa, ter a renda familiar bloqueada sem ponderação, ser punido por compartilhar algo com intenção construtiva — isso não é justiça.
Isso é silenciamento.
E quando esse silenciamento vem de alguém que prega valores públicos, mas age nos bastidores com estratégia jurídica para lucrar sobre outros criadores… isso revela um abismo entre o discurso e a prática.
Por Que Estamos Contando Isso
Este artigo é, acima de tudo, um alerta.
Para quem compartilha conteúdo com boa intenção.
Para quem acredita na justiça.
Para quem valoriza a bicicleta como símbolo de transformação social.
Não podemos aceitar que a lei seja usada para oprimir e punir quem tenta construir.
Seguimos em Frente. E Mais Fortes.
Apesar do golpe, o Bike Dica continua.
Aprendemos. Resistimos.
E seguimos aqui — mais conscientes, mais atentos e ainda apaixonados pela cultura da bicicleta.
Se essa história te tocou, compartilhe.
Que ela sirva de alerta, de inspiração e de resistência.
Bike Dica: feito com verdade. Sempre foi. E sempre será.
Nota de transparência:
Os fatos relatados neste artigo referem-se a um processo judicial público, cujos dados podem ser consultados por qualquer cidadão interessado, conforme prevê a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011). Por respeito à privacidade e ao foco do conteúdo, optamos por não divulgar diretamente nomes ou números processuais, mantendo o compromisso com a ética e a responsabilidade na comunicação.
O Contrassenso de um Projeto Público Usado para Atacar Criadores Independentes
Vale ressaltar que a matéria que originou o processo foi produzida originalmente no âmbito de um projeto institucional: o Blog Itaú Ciclismo, e mantido com patrocínio do Itaú Unibanco, como parte de sua iniciativa de incentivo à mobilidade urbana sustentável.
Esse conteúdo tinha como foco promover o uso da bicicleta como meio de transporte, divulgar ciclovias, dicas de segurança e o próprio sistema de bikes compartilhadas da marca. Ou seja, um material de interesse público e propósito educativo — que, inclusive, foi autorizado pelo próprio Itaú para divulgação em outros canais comprometidos com a causa.
A contradição é clara: um conteúdo produzido com apoio institucional, e alinhado ao espírito de colaboração e educação, foi posteriormente usado como base para uma ação judicial que feriu a liberdade de expressão, desconsiderou o interesse coletivo e puniu um blog sem fins lucrativos que atua exatamente na mesma frente.